| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
ExtorsãoHá três grupos distintos que querem espremer dinheiro de protecção vindo da indústria do software: o próprio sistema de patentes; companhias cujo modelo de negócio é produzir litígios em tribunal em vez de produtos; e grandes corporações.A "máfia de patentes" extorque dinheiro de uma forma que é extremamente semelhante à de gangsters. Se um bando criminoso quiser espremer dinheiro a um dono de um restaurante, enviam alguém que lhe explica a "necessidade" de ser protegido. Se essa mensagem não for compreendida, enviam mais alguns criminosos que demolem o restaurante para demonstrar a necessidade de aceitar a sua oferta. Não há nada de errado em vender serviços de segurança, mas o que é repugnante é alguém criar o problema apenas para vender a "solução". Alguns advogados de patentes dizem que as companhias deveriam simplesmente reservar um certo nível de recursos, por exemplo 10% dos seus lucros, para pagar protecção de patentes. O que eles não dizem é que a melhor alternativa seria simplesmente eliminar estes custos todos juntos. O sistema de patentes pode ser aceitável em alguns poucos casos mas não faz sentido nenhum extendê-lo ao software, que já é bem protegido pelo Direito de Autor. E o mundo certamente não necessita todos os milhões de patentes que existem em força hoje. Menos seria mais.
"A Oracle é forçada a desviar uma porção significante dos seus recursos financeiros para protecção por patentes dos seus bens, em vez de utilizar esses recursos em aumentar a inovação e a expandir os seus produtos de software."
À custa do resto da economia, algumas companhias transformaram o seu negócio principal ou exclusivo no forçar o cumprimento de direitos de patentes.
Por outras palavras: produzem processos em tribunal por infracções em vez de produtos reais. A Eolas criou cabeçalhos nas notícias com cautela preliminar que premiava a companhia de uma só pessoa com aproximadamente 500 milhões de Euros de indemnizações vindas da Microsoft. Existe uma outra forma de especuladores de patentes: companhias que têm algumas patentes que sobram de um mais glorioso passado. Um exemplo famoso é a Unisys, que já foi uma grande companhia de TI mas que perdeu quase toda a a importância. O seu departamento legal, que se sentava sobre patentes relacionadas com o popular formato de ficheiros de imagens GIF, ultrapassou a unidade de vendas em termos de gerar novos negócios.
É causa para grande preocupação que há uma notável tendência para a industrialização da especulação de patentes. Com a Acacia e a Forgent, o mundo agora tem duas companhias cotadas na bolsa, cada uma com dezenas de milhões de Euros no banco, que geram o grosso dos seus lucros fazendo cumprir direitos de patentes. A Acacia não faz nada para além de comprar e comercializar patentes. A Forgent até tem um pequeno negócio de edição de software, mas 90% da sua facturação vieram de fazer cumprir direitos de patentes. A principal patente da Forgent está relacionada com uma técnica que é utilizada em ligação com o formato de ficheiros de imagens JPG.
O presidente da direcção da Intel despreza tais detentores de patentes por demonstrarem pouco interesse em produzir produtos com as suas invenções, e preferirem exigir taxas de licenciamento a terceiros. "Chamamos-lhes de trols", diz.
Tais companhias não só se aproveitam dessas patentes contra editores de software, mas também contra utilizadores de software.
Para exemplificar, a Acacia lançou uma iniciativa onde exigia que cada universidade dos EUA pagasse 5,000 dólares americanos se oferecessem ensino à distância através de emissão de vídeo na Internet.
Não existiria nada de errado com este conceito se as respectivas companhias fossem grandes inovadores e salvasses os restantes do esforço de reinventar a roda. Infelizmente, não é esse o caso. A razão pela qual as companhias podem se ver forçadas a pagar dinheiro a estes especuladores e extorsores é unicamente porque eles foram os primeiros a registar uma ideia. O valor de uma patente é tão mais alto para esses especuladores e extorsores quanto mais abrangente. Contudo, se for demasiado abrangente então nunca deveria ter recebido protecção de patentes. Então a forma como o jogo se joga é: advogados de patentes escrevem longas descrições de ideias simples de forma a que coisas muito abrangentes e triviais possam parecer impressionantes para um examinador de patentes. Algumas patentes consistem nalgumas dúzias ou mais páginas, mas podem ser "violadas" por uma única linha de um programa de computador. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
![]() |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||